quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Os avós também o fazem!!!



Hoje em dia aborda-se o tema da sexualidade de uma forma bastante positiva e livre de preconceitos, e este facto é explicado pela evolução dos tempos e de mentalidades. Cada vez mais, pretende-se uma educação sexual destinada a todas as idades e focada em todos os campos. A sociedade de hoje continua repressiva, mas o facto de a sexualidade ter sido liberta de constragimentos conseguiu alcançar uma emancipação. A “sexualidade” é um termo que aparece pela primeira vez no século XIX. Nessa altura, a sexualidade emergiu como uma fonte de preocupação, que exigia soluções. As mulheres que procuravam prazer sexual são especificamente não naturais. A sexualidade é uma contrução social que opera em campos de poder que podem ou não encontrar satisfação directa, a evolução das sociedades conduz, então a uma revolução sexual. A mulher submissa e o homem dominador constitui hoje um conflito de poder, e desde a emancipação da mulher que este quadro se distorce. A mulher afirma a sua identidade sexual e torna-se independente, tomando então uma posição de igualdade perante o sexo oposto. Desde então, muito mudou. A temática da sexualidade está interligada à descoberta do prazer desprezando a ideia religiosa do acto da consumação para a reprodução. Somos seres sexuais desde que nascemos. Já Freud fazia referência à sexualidade na infância, algo que hoje em dia é um tema bastante comum. A sexualidade na adolescência é e sempre será um ponto bastante pertinente, pois é na adolescência que a identidade e a orientação sexual manifesta-se de uma forma activa. Foi há pouco tempo que começou a falar-se na sexualidade na terceira idade. Para alguns, este tema ainda é visto com alguma repugnância. A verdade é que a sexualidade na terceira idade é bastante complexa, pois nesta altura da vida existem diversas mudanças a nível corporal, hormonal que, indubitavelmente, irão conduzir a mudanças a nível psicológico, também. Existem diversos estereótipos privados de significado. Existem crenças de que as pessas idosas não são fisicamente atraentes, não têm interesse por sexo ou que são incapazes de sentir algum estímulo sexual. Estes estereótipos, conjuntamente com a escassez de informação, induzem as pessoas a uma atitude pessimista em tudo o que se refere ao sexo na velhice. É então necessário esclarecer as pessoas e desmistificar todas estas crenças e estereótipos.

Na sociedade contemporânea é possível prescindir do trabalho dos idosos, graças aos novos meios de produção, e oferecer-lhes um período de aposentação. O desenvolvimento da medicina e as mudanças de condições de vida aumentaram a longevidade do ser humano, em muitos casos, até idades muito avançadas. Esta população liberta da necessidade de trabalhar, poderia desfrutar do tempo de lazer e dos bens culturais e de consumo destas sociedades avançadas. Mas, porém, nem sempre isto se verifica. Associado ao aumento de problemas de saúde, existem factores que limitam o bem estar destas pessoas aposentadas. Por exemplo, a aposentação implica em muitos casos um decréscimo dos rendimentos económicos, o que os obriga a modicar o seu estilo de vida. Além disso, a aposentação provoca frequentemente uma espécie de morte social, de perda de relações sociais. Não obstante, viúvas e viúvos podem ver-se forçados a viver não apenas sem um sistema de relações sociais adequada, mas também, o que é ainda mais grave, sem vínculos afectivos fortes.
As limitações a nível sexual são, sem dúvida, ainda mais evidentes. As dificuldades de saúde e, sobretudo, os factores ambientais impedem os idosos de se interessar e de ter comportamentos sexuais.
Verificam-se algumas alterações biofisiológicas, tanto no homem como na mulher. As mulheres costumam assumir melhor que os homens as alterações que afectam a esfera sexual. Contudo, aceitam pior o processo geral de envelhecimento, especialmente quanto à sua imagem corporal, porque se exige às mulheres uma figura corporal mais juvenil.

O receio associado à chegada da menopausa é significativo. Geralmente, as mulheres têm uma ideia negativa da menopausa, pois significa a entrada na terceira idade, e a infertelidade. A menopausa é a parada completa da menstruação. O processo de envelhecimento ocorre desde que nascemos, mas há maior preocupação com a idade quando as nossas funções vitais vão desaparecendo. A perda da capacidade reprodutiva nas mulheres é acompanhada por uma série de sintomas físicos e emocionais. Os afrontamentos, o suor excessivo, cefaléias, pele seca são alguns dos sintomas mais comuns. Com a chegada da menopausa o desejo sexual pode diminuir. Algumas mulheres que se sentiram obrigadas a manter relações sexuais toda a vida, justificam a perda da função sexual com o fim da menstruação. Já outras mulheres experimentam uma melhoria da vida sexual e de seu desejo com a parada do ciclo menstrual, pois já não precisam temer a gravidez indesejada e geralmente já não têm filhos pequenos que atrapalhem o seu sono ou que ocupem o seu dia. A questão cultural, também tem aqui a sua influência. Com a perda de produção de algumas hormonas na menopausa, a mulher fica também com menos lubrificação vaginal, devendo ter mais cuidado durante o acto sexual. Outro fenómeno que ocorre é a perda de gordura localizada nos grandes lábios, fazendo com que a vagina diminua de tamanho e esteja mais propensa a sofrer dor no coito. Mas, o orgasmo da mulher com menopausa pode ser muito intenso, pois as terminações nervosas estão muito mais à flor da pele, pois a capa de gordura da região da vulva está diminuída. Muitas mulheres experimentam um reflorescimento da vida sexual.



Equivalente à menopausa nas mulheres, os homens passam pela andropausa. Caracteriza-se pela redução de testosterona, hormona cuja produção vai diminuindo de uma forma gradual, o que pode afectar a actividade sexual masculina. Depois dos 50 anos, 40% dos homens apresentam sintomas sugestivos de queda dos níveis de hormonas. Embora já tenham sido confundidos com situações de depressão, os sintomas mais comuns são o desinteresse sexual, problemas de erecção, falta de concentração e de memória, queda de pêlos púbicos, insónia, perda de peso e por conseguinte, o próprio quadro depressivo. Se o homem teme excessivamente a impotência, pode desenvolver stress suficiente para causá-la.
Os casais idosos podem ter os mesmos problemas que envolvem as pessoas de todas as idades. Só que pode, sofrer problemas por motivos próprios relacionados com a velhice, com a reforma e outras mudanças no estilo de vida, ou estado de saúde. Estes problemas podem causar dificuldade sexual. Os idosos sofrem de problemas sexuais e preocupações que não são diferentes dos problemas das pessoas jovens, todavia os factores biológicos e psicológicos requerem mais atenção.



Esta descrição de factores pode parecer angustiante e pode levar-nos a concluir que na velhice estamos condenados a sofrer graves danos no campo da sexualidade. Mas não é a realidade. Um número satisfatório de idosos vive a sexualidade de forma satisfatória e alguns deles afirmam que esta até melhorou.
Nota-se que os afectos tornam-se mais explícitos e um maior interesse pelos sentimentos, a comunicação, a ternura e as relações interpessoais. Isto pode contribuir para enriquecer as relações pessoais (e também as sexuais). O interesse pelo contacto corporal, a ternura, a comunicação e o amor podem ser muito potenciados. O interesse pela melhoria da actividade sexual na terceira idade deve entender-se como uma forma de dar novas possibilidades relacionais às pessoas. Deverão ser eles a descobrir os seus verdadeiros desejos e interesses e a construir um sistema de relações que lhes proporcione prazer, bem estar e segurança. Amar e ser amado e sentir-se seguro deste sistema de relações afectivas, é sem dúvida o mais importante. Independentemente da forma como se manifesta a sexualidade, uma vida sexual e afectiva próspera é sinónimo de saúde física e mental.








Daniela Rodrigues

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